• Áliston Meneses

Para especialistas, novo relatório aponta para culpa da Vale em Brumadinho


Um relatório elaborado por um painel de especialistas contratado pela assessoria jurídica externa da Vale sobre o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) aponta como causas técnicas para a tragédia fatores de responsabilidade da própria mineradora.


Divulgado ontem, o documento diz que a barragem se rompeu como resultado de uma “liquefação estática de rejeitos”. Na prática, esse fenômeno acontece quando há uma mudança física em um material sólido ou pastoso, passando para um estado mais líquido.

O relatório aponta, ainda, que rompimentos de barragens “raramente se devem a uma só causa” e lista uma série de fatores para o ocorrido: entre elas, a falta de drenagem interna; o alto teor de ferro, que teria gerado rejeitos rígidos com “comportamento potencialmente muito frágil se sujeitos a um gatilho”; e a precipitação regional alta e intensa na estação chuvosa.


“Ela [a Vale] poderia controlar esses fatores todos”, afirma Evandro Moraes da Gama, professor titular do departamento de engenharia de minas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).


“Toda essa conclusão técnica é verdadeira, mas não resolve e não justifica o problema”, diz Dickran Berberian, professor do departamento de engenharia civil e ambiental da UnB (Universidade de Brasília). Segundo ele, os fatores “denotam total falta de ação por parte da Vale”.


O relatório divulgado hoje destaca que os especialistas do painel contratado pela assessoria jurídica externa da Vale não avaliaram questões relacionadas à potencial responsabilidade corporativa ou pessoal pelo rompimento. “Em vez disso, sua incumbência foi expressamente limitada à determinação das causas técnicas do rompimento”, diz o texto.


Fonte: UOL

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