• Áliston Meneses

IBGE: Desemprego cresce em 12 estados e chega a 34% entre jovens nordestinos


Divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira (15), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) constatou que a taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2020 aumentou em 12 estados brasileiros. Nas demais regiões pesquisadas, a taxa se manteve estável, sempre na comparação com o quarto trimestre do ano passado.


Entre as maiores taxas registradas, estão as da Bahia (BA), na casa dos 18,7%, do Amapá (AP), com 17,2%, Alagoas (AL) e Roraima (RR), com 16,5% em cada um. Enquanto isso, os menores registros ficaram em estados como Santa Catarina (5,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Paraná (7,9%).


As maiores altas no desemprego foram apresentadas pelo Maranhão (MA), onde o indicador cresceu 3,9 pontos percentuais, no Alagoas (AL), com alta de 2,9 p.p e no Rio Grande do Norte (RN), com crescimento de 2,7 p.p. Em 15 unidades da federação, o desemprego superou a média nacional, de 12,2%. O país tinha 12,9 milhões de pessoas sem trabalho no primeiro trimestre, conforme já divulgado pelo IBGE anteriormente.


As desigualdades econômicas seguem intensas em diversos segmentos da sociedade, conforme aponta a pesquisa. Entre as pessoas que se declararam pretas e pardas, o desemprego avançou, de 13,5% e 12,6% no quarto trimestre de 2019, para, respectivamente, 15,2% e 14% atualmente. Ao mesmo tempo, índice de desemprego entre as pessoas brancas subiu de 8,7% para 9,8%. A taxa de desocupação foi estimada em 10,4% para os homens e 14,5% para as mulheres. 


Entre os jovens de 18 a 24 anos de idade, o desemprego passou de 23,8% no último trimestre de 2019 para 27,1% no período atual. No Nordeste, o desemprego para essa faixa etária chegou a 34,1%. De acordo com a analista responsável pela pesquisa, Adriana Beringuy, o aumento da desocupação no primeiro trimestre de cada ano já é esperado, devido às dispensas dos trabalhadores temporários contratados no período de festas do fim do ano anterior.


Em relação ao tempo de procura por emprego, a pesquisa mostra que 45,5% dos desocupados estavam de um mês a um ano em busca de trabalho, 23,9%, há dois anos ou mais, 12,6% está na busca por um período de um ano até dois e 18% há menos de um mês. No país, 3,1 milhões de pessoas procuram trabalho há 2 anos ou mais.


Informalidade


A taxa de informalidade passou de 41% para 39,9% no país e, entre as unidades da federação, as maiores taxas foram registradas no Pará (61,4%) e Maranhão (61,2%) e as menores em Santa Catarina (26,6%) e Distrito Federal (29,8%).


Embora a taxa de informalidade tenha se mantido estável em 18 estados, ela ficou acima da taxa média nacional (39,9%) nesses locais, variando de 41,2%, em Goiás, até 61,4% no Pará. Em 11 desses 18 estados, a informalidade ultrapassou 50% e apenas Distrito Federal (29,6%) e Santa Catarina (27,3%) tiveram taxas de informalidade abaixo de 30%.


“A informalidade teve queda porque houve uma redução das duas populações que a compõem – empregados sem carteira do setor privado e trabalhadores por conta própria – devido às dispensas dos contratados no quarto trimestre. Isso significa que os trabalhadores sem carteira e os que trabalham por conta própria não estão sendo absorvidos pelo mercado formal”, analisa Adriana.


Para o cálculo da taxa de informalidade da população ocupada, a pesquisa considera como informais os empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada, empregados doméstico sem carteira de trabalho assinada, empregadores sem registro no CNPJ, trabalhadores por conta própria sem registro no CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.


Por telefone


Em função do avanço da pandemia de coronavírus no país, o IBGE interrompeu a tradicional coleta presencial de todas as pesquisas do instituto no dia 17 de março de 2020, seguindo as recomendações de autoridades da Saúde. Desde então, a coleta das informações tem sido realizada por telefone.


O Instituto assegura que conseguiu obter os telefones de todos os entrevistados durante a série e que a mudança no método não interfere na qualidade dos resultados.


Redação com CNN Business

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