• Áliston Meneses

Ceará chega ao 10º dia de paralisação da PM; comissão aguarda reivindicações da categoria

O Ceará chegou nesta quinta-feira (27) ao 10º dia seguido de paralisação de parte da Polícia Militar com três batalhões e uma base policial ainda fechados. Para tentar solucionar o motim, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), Erinaldo Dantas, solicitou ao representante dos PMs amotinados uma lista de reivindicações para que seja apresentada ao governo do Ceará.


O motim começou na terça-feira (18), quando homens encapuzados que se identificam como agentes de segurança do Ceará invadiram e ocuparam quarteis, depredando veículos da polícia. Policiais militares reivindicam aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana.


Nesta quarta-feira (26), o governo cearense pediu ao Governo Federal a prorrogação da permanência de militares do Exército no estado. O prazo inicial se encerra na sexta-feira (28).


Os representantes dos três poderes e da OAB começaram a negociar com os policiais militares após a formação de uma comissão. O grupo realizou a primeira reunião oficial para traçar estratégias de conciliação e depois se dirigiu a um dos batalhões ocupados nesta quarta.


A comissão é composta pelos seguintes membros:


Poder Executivo - Procurador-Geral do Estado, Juvêncio Viana

Poder Judiciário - Corregedor-Geral Desembargador Teodoro Silva Santos

Poder Legislativo - Deputado estadual Evandro Leitão (PDT)


Funcionam como observadores as seguintes autoridades:


Ministério Público - procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro

Exército - Coronel Marcos Cesário

OAB - Erinaldo Dantas (presidente do órgão)


Os policiais militares escolheram como intermediador um coronel reformado do Exército, que é advogado de associações militares.


“Quando os ânimos se acalmarem, aí nós falaremos como é que pode ser negociada a situação dos policiais, como pode ser negociado esse dilema em que se entrou”, disse o coronel Walmir Medeiros.


Desde o início do movimento, o estado registrou 195 homicídios. O número representa um aumento de 57% em relação aos casos registrados durante a última paralisação de PMs no Ceará, em 2012. O movimento daquele ano durou sete dias (de 29 de dezembro de 2011 e 4 de janeiro de 2012), um a menos que o atual, e teve 124 assassinatos.


Subiu para 47 o número de policiais militares presos desde o início do motim. Desse total, 43 agentes foram presos por deserção, que é o abandono do serviço militar; 3 presos por participar em motim; e 1 PM preso por queimar um carro particular.



G1/CE


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